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As síndromes do cansaço profundo

 

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Esta Notícia foi retirada de Jornal do Brasil, Domingo, 4 de Novembro de 2001

Fadiga crônica e fibromialgia são doenças semelhantes, pouco conhecidas e que se caracterizam pelo difícil diagnóstico

Antonio Lacerda


Valéria Pimenta sentiu os sintomas da fadiga crônica por três anos, sem conseguir o diagnóstico. Ficava constantemente gripada, sentia desânimo, dores, ardência no estômago. Além, é claro, de um cansaço permanente

O dia parece passar tão devagar quanto um filme em câmera lenta. Os músculos doem, como se tivessem sido submetidos a uma série forte de musculação, mesmo estando longe de uma academia há meses. Ao cansaço extremo, juntam-se problemas digestivos – como gases ou cólicas – e dificuldade para dormir, apesar do sono. Esses são alguns dos sintomas da síndrome da fadiga crônica (SFC) – reconhecida pela Organização Mundial de Saúde como uma condição debilitante e estressante –, que cada vez acomete mais pessoas em todo o mundo.
Em geral, o critério para o diagnóstico de SFC observa principalmente a alteração de memória e concentração, dores musculares e nas articulações, irritabilidade, resfriados constantes, cansaço persistente, sonolência diurna, problemas intestinais, gânglios no pescoço e excesso de gases, verificados durante mais de seis meses.

As causas, no entanto, ainda não foram identificadas com precisão. “Sabe-se que existe ligação com estresse, má alimentação, pouca qualidade de sono e uso de estimulantes, como café, cigarro e guaraná em pó”, diz o ginecologista Décio Alves, coordenador do ambulatório de acupuntura e terapias naturais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo Décio Alves, no caso das mulheres, os sintomas ficam ainda mais intensos durante o período pré-menstrual. Lista da farmácia – Valéria Pimenta esteve nas estatísticas da SFC durante três anos. Constantemente cansada, a funcionária pública de 44 anos mal conseguia desempenhar as atividades mais simples do dia-a-dia. “Eu achava que tinha ficado hipocondríaca”, lembra Valéria. Além do desânimo, ela sentia dores nas juntas, ardência no estômago e ficava gripada constantemente. Teve conjuntivite, gastrite e chegou ao cúmulo de quebrar o mesmo pé quatro vezes. “A sensação era horrível. Podia passear, sair de férias, que continuava passando os fins de semana de cama”, conta Valéria.

A cada problema novo que surgia, procurava um médico diferente e acrescentava novos medicamentos à lista da farmácia. “Achava que ainda era muito nova para ter aqueles problemas todos. Minha mãe de 67 anos me dava um banho de energia”, diz. Depois de peregrinar por vários médicos, teve o diagnóstico definitivo: sofria de fadiga crônica.

“Pacientes como ela chegam com exames dentro da normalidade e não agüentam mais ouvir que não têm nada. Estão sofrendo, passando por um processo desgastante, sentindo-se terrivelmente cansados e não sabendo ao certo o que têm. Acham que essa situação não tem cura”, afirma Jane Corona, autora do livro Fadiga crônica (Ed. DP&A).

Mesmo com os sintomas já identificados, a demora do diagnóstico pode acontecer porque a SFC é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas e sinais que podem ser produzidos por mais de uma causa. Para se chegar à conclusão acertada, deve-se fazer um diagnóstico de exclusão. Uma vez que a fadiga pode ser a manifestação de outras doenças – como anemia e insuficiência cardíaca – todas essas demais enfermidades têm de ser analisadas e descartadas antes. Ainda assim, para alguns especialistas, a fadiga crônica é, invariavelmente, a conseqüência de alguma outra doença. “Depois de descartar outras doenças, por meio de exames clínicos e laboratoriais, sempre que procurei distúrbios do sono ou alterações psiquiátricas acabei encontrando”, afirma Antônio Carlos Lopes, professor titular de clínica médica e medicina de urgência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Depressão, câncer, hipo e hipertireoidismo, insuficiência renal, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca e até medicamentos específicos podem ser o estopim da fadiga crônica. “Até provarem o contrário, essa síndrome é a manifestação de alguma outra doença”, afirma. As confusões acerca da SFC não param por aí. Ao longo dos anos, ela já foi batizada com vários nomes diferentes. “Em 1750, foi chamada de febrícula. Mais tarde, de neurastemia endêmica, doença real, encefalomielite miálgica e, na década de 70, ficou conhecida como a doença dos yuppies”, ensina a nutróloga Jane Corona.

Fibromialgia – Assim como a síndrome da fadiga crônica, a fibromialgia – síndrome de amplificação da dor – ainda é pouco conhecida. Os sintomas de ambas são tão parecidos que seus diagnósticos muitas vezes chegam a ser confundidos. “As diferenças entre essas síndromes ainda não são bastante claras”, afirma Jamil Natour, chefe do setor de coluna vertebral e reabilitação de Reumatologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Diferente da fadiga crônica, as características da fibromialgia já têm um padrão específico, descrito em 1990 pelo Colégio Americano de Reumatologia. A principal delas é a dor em diversos pontos do corpo. Mas não uma dor comum. É mais forte e persistente que o normal e atinge mais de 11 dos 18 pontos de dor que temos no corpo. Tanto que mesmo pequenos estímulos provocam uma dor-reflexo desproporcional. Às dores, associam-se fadiga, baixo condicionamento físico – que resulta em cansaço excessivo, mesmo após esforços físicos leves – e qualidade de sono prejudicada. Esse conjunto de situações específicas contribui para a uniformidade de diagnósticos em todo o mundo.

O tratamento para essa síndrome varia conforme a gravidade do caso e envolve medicação. “Além disso, ensino técnicas que chamo de conservação progressiva. Ou seja, a pessoa passa a ser capaz de perceber o seu limite ao fazer as atividades físicas e cotidianas e pára antes de ficar exausta”, explica Natour. O médico ainda receita exercícios físicos orientados. “As atividades físicas regulares são a melhor forma de prevenção”, afirma.

A qualidade de vida sai tão prejudicada que pode levar à depressão. A empresária Marilda Bonilha, 55, ainda está em tratamento para curar-se completamente da fibromialgia que a acompanhou por quase dez anos. Antes de a síndrome ser diagnosticada, ela passou pela mesma aflição que a maior parte dos pacientes vivencia. Recorreu a inúmeros tratamentos – inclusive psiquiátricos – e mesmo assim continuava com as fortes dores, insônia e altamente irritável. “Não conseguia ser uma pessoa alegre, otimista nem bem-humorada. A dor mexeu comigo”, lembra Marilda. Depois que começou o tratamento, à base de anti-depressivos e analgésicos, a melhora da saúde refletiu-se no corpo – ela emagreceu 19 dos seus antigos 64 kg – e no ambiente de trabalho. “Fiquei mais calma e tolerante”, analisa.

Endereço: http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/cadernos/vida/2001/11/03/jorvid20011103006.html

 

 

 
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